Minha mãe - que é coordenadora em uma escola primária - trouxe para casa um livro - Namorinho de Portão, de Elias José - para que meu irmão digitasse uma poesia selecionada por uma professora para ser usada em alguma atividade.
Brincando de não-me-olhe
Não me olhe de lado
Que eu não sou melado.
Não me olhe de banda
Que eu não sou quitanda.
Não me olhe de frente
Que eu não sou parente.
Não me olhe de trás
Que eu não sou satanás.
Não me olhe no meio
Que eu não sou recheio.
Não me olhe pela janela
Que eu não sou panela.
Não me olhe da porta
Que eu não sou torta.
Não me olhe do portão
Que eu não sou leitão.
Não me olhe no olho
Que eu não sou caolho.
Não me olhe na mão
Que eu não sou mamão.
Não me olhe no joelho
Que eu não sou espelho.
Não me olhe no pé
Que eu não sou chulé.
Não me olhe de baixo
Que eu não sou riacho.
Não me olhe de cima
Que acabou a rima.
O mesmo livro tem vários poemas bem mais interessantes, como este:
A pata da gata
A pata
da gata
ata, ata
e desata.
A pata
da gata
ataca
a maritaca
e a bota
da Maricota.
A pata
da gata
bata na bola,
batuca na lata,
luta com a rata,
cutuca na nata.
A pata
da gata
ata, ata
e desata
e não acata
as ordens da gata.
Bem melhor, não? E bem legal de ler alto e rápido. É um "tata-tá" sem fim. (RSF)